Diferentes marcas e estabelecimentos ampliam variação de preços na cidade
por Carmen Staggemeier Xavier
Variedade e brindes fazem a alegria da criançada. Pais precisam estar
atentos à variação de preços de um mesmo produto (Foto Arquivo/A Razão)
Faltando uma semana para a Páscoa, consumidores começam a lotar os
estabelecimentos especializados nos dois principais produtos dessa data:
os pescados e os chocolates. Nos supermercados, as “parreiras” encantam
os olhos dos pequenos e são vistos com muito cuidado pelos adultos.
Isso porque os preços podem variar de R$ 3,00 a R$ 115,00, dependendo do
tamanho, marca e “brinde” que o ovo de Páscoa oferece.
Para atrair o consumidor, alguns estabelecimentos já estão realizando
promoções, que incluem redução de preços e descontos conforme a
quantidade. Isso porque, com a retração na economia, o objetivo é
garantir as vendas, mesmo que com uma lucratividade menor. Para atingir
as metas, a Associação Gaúcha de Supermercados (Agas) prevê crescimento
real (descontada a inflação) de 2% na comercialização em comparação com o
mesmo período do ano passado. A aposta será na venda de ovos de
chocolates menores e de barras e bombons – deste último produto a
estimativa é repassar 6 milhões de caixas.
PESCADOS - Para quem não perde a tradição, o
cardápio desta Semana Santa poderá ficar mais salgado em comparação com a
Páscoa do ano passado. Isso porque, segundo levantamento do Índice do
Custo de Vida de Santa Maria (ICVSM), alguns tipos, como a merlusa, têm
variação de até 66,91%. Já acompanhamentos como a cebola registram
aumento de até 81,65% em 12 meses. Segundo o professor de economia do
Centro Universitário Franciscano (Unifra) Mateus Frozza estes aumentos
são resultado de fatores com o reajuste dos custos com o transporte e a
energia elétrica, além de questões sazonais.
Consumidor deve estar atento
Para que a Páscoa não se torne um problema, o Procon e o Programa
Municipal de Defesa do Consumidor repassam algumas dicas quanto aos ovos
de chocolate e os pescados. Segundo a auditora fiscal Márcia Rocha, um
dos passos mais importantes é conferir as informações que o produto é
obrigado a apresentar em sua embalagem, como peso, data de validade,
valor nutricional, entre outros.
No
caso dos ovos de Páscoa, é preciso estar atento à questão do peso, já
que a informação deve se referir apenas ao chocolate, descontando o peso
do brinde (quando houver) e da embalagem. “O consumidor precisa
verificar se a embalagem está em condições, se não há violação e se o
armazenamento ocorre de forma adequada”, orienta. Márcia sugere ainda
que os pais não façam as compras acompanhados dos filhos. “É mais
difícil explicar para uma criança a relação entre o valor do produto, o
brinde e, principalmente, a quantidade de chocolate”, explica.
Com relação aos pescados, frescos ou congelados, a auditora destaca
os cuidados a serem observados com o selo de fiscalização, a limpeza, a
conservação e a procedência do produto. Na próxima segunda-feira, dia
30, a Prefeitura Municipal irá divulgar uma série de orientações quanto à
comercialização de pescados, além de ampliar a fiscalização da
vigilância sanitária nos pontos de venda.
Márcia destaca ainda que,
em caso de dúvida, o consumidor pode entrar em contato com o órgão de
defesa do consumidor pelo telefone (55) 3217-1286 ou pelo e-mail procon@santamaria.rs.gov.br.
Índice do custo de vida de fevereiro em Santa Maria registrou aumento de 1,28%
por Carmen Staggemeier Xavier
Os santa-marienses sentiram no bolso os aumentos de preços de produtos e serviços no início deste ano. Em fevereiro, a inflação na cidade fechou em 1,28%, segundo dados do Índice do Custo de Vida de Santa Maria (ICVSM), calculado pelo Laboratório de Práticas Econômicas do Centro Universitário Franciscano (Unifra). Esta é a maior taxa mensal desde 2006, quando o índice começou a ser calculado. Em janeiro deste ano, o custo fechou com alta de 1,07%.
Os dois grupos que mais contribuíram para esta elevação foram o transporte e a alimentação. O aumento no preço dos combustíveis e o reajuste das passagens impulsionaram a inflação no setor de transporte, que encerrou o mês de fevereiro com alta de 3,17%. No caso do grupo alimentação, uma das causas da alta de 2,41% foi a greve dos caminhoneiros, gerando o desabastecimento e a elevação de preços de produtos essenciais, como arroz, feijão e hortifrutigranjeiros.
Outros quatro grupos que compõem o ICVSM apresentaram aumento médio de preços em fevereiro. Com o início das atividades escolares, o grupo educação fechou o mês com alta de 1,27%. Entre os fatores para essa elevação estão os preços do uniforme escolar (+13,2%), cadernos (+10,8%) e mensalidade do ensino médio (+6,9%). Já o grupo de despesas pessoais apresentou pequena oscilação de 0,43%, impulsionado pelo aumento do juro do cheque especial e do cartão (+0,43%). Os preços verificados no grupo habitação registraram leve aumento de 0,16%, ocasionados pela alta do sabão em pó (+7,7%), cerca elétrica (+7,5%) e tintas (+4,5%). No grupo comunicação, a alta de 0,11% foi puxada pela mensalidade do telefone residencial (+1,4%).
PRINCIPAIS REDUÇÕES
Dos nove grupos pesquisados, três apresentaram resultado médio abaixo da inflação medida pelo ICVSM. O grupo vestuário variou -0,64%, devido as promoções do Liquida Santa Maria. Já o grupo artigos de residência apresentou queda de -0,57% nos preços, puxada por itens como aparelho de DVD (-7%), dormitório solteiro (-4,5%) e conjunto de som acoplado (-4,6%). Por fim, o grupo saúde e cuidados pessoais teve baixa nos preços de -0,10%, puxado pela queda nos preços da armação de óculos (-13,1%), creme dental (-11,7%) e talco (-11,0%).
OS DEZ MAIS NO BOLSO DO CONSUMIDOR
Maiores aumentos
- Mala 18,5%
- Arroz comum 18%
- Pão 17,9%
- Caqui 17,8%
- Achocolatados e farinha láctea 17%
- Leite em pó 17%
- Uniforme escolar 13,2%
- Ferro elétrico 13%
- Aluguel de roupa masculina 12%
- Passagem de ônibus municipal 11,5%
Maiores baixas
- Bermuda e shorts -19,6%
- Blusa feminina -17,5%
- Bermuda e shorts infantil -17,3%
- Conjunto da calça e blusa feminina -16,7%
- Rádio para automóvel -15,8%
- Beterraba -15,5%
- Leite tipo C -15,2%
- Calça comprida infantil -15,1%
- Agasalho feminino -14,5%
- Bife empanado -13,6%
Matéria publicada no site do jornal A Razão. Dia: 12 de março de 2015.
O Custo de Vida em Santa Mariasubiu 1,28% em fevereiro, o maior índice desde 2006, quando a inflação local começou a ser medida por meio do Índice do Custo de Vida de Santa Maria (ICVSM), pesquisa feita pelo Centro Universitário Franciscano (Unifra).
– Em poucas ocasiões o índice ultrapassou um ponto percentual – ressalta o economista que coordena a pesquisa e é professor da instituição Mateus Frozza.
Os "culpados" da inflação santa-mariense são itens de necessidade básica, como transporte, alimentação e educação. O aumento do preço dos combustíveis, além do reajuste da passagem de ônibus na cidade (de 11,5%), contribuiu para que o transporte despontasse no topo da lista, atingindo a casa 3,17% de alta. Em relação aos alimentos, o vilão foi o arroz, com acréscimo de 18%. Se observarmos alguns alimentos específicos, desde dezembro, o susto é ainda maior (veja lista abaixo).
O comportamento desordenado dos preços foi agravado pela greve dos caminhoneiros, que causou desabastecimentos pontuais, e fatores sazonais, nos alimentos cotados em dólar.
Ontem, também foi divulgado o ICVSM de janeiro, que ficou em 1,07%, indicando que o acumulado dos dois primeiros meses do ano registra alta de 2,05%. O acumulado dos últimos 12 meses atingiu 8,26%, número maior do que a inflação nacional medida pelo IPCA, que foi de 7,7%, a mais alta desde 2005.
Projeção ruim
A expectativa para março é de inflação igual ou superior à de fevereiro, aponta o economista, quando será contabilizado o impacto do aumento da conta de energia elétrica.
– Carnes e hortifrutigranjeiros devem seguir em alta. O buffet por quilo também deve subir logo, já que os alimentos estão pressionando os preços – afirma Frozza.
Segundo Frozza, o momento exige atenção na hora das compras. O consumidor vai ter de pesquisar preços e fazer substituições. O economista cita como alternativa alimentos que tiveram baixa, como o leite tipo C (-15,2%) e o bife empanado (-13,6%).
Confira, abaixo, dicas para administrar melhor o orçamento doméstico:
Matéria publicada no site do Diário de Santa Maria.
Dia: 12 de março de 2015.
Com o aumento da renda do trabalhador, nos últimos anos, fazer
pesquisas de preços virou um hábito cada vez menos comum. Boa parte dos
consumidores ficou mais exigente. Mesmo assim, quem manteve o hábito de
pesquisar costumou focar mais em comparar produtos como alimentos,
gasolina e eletrodomésticos.
Porém, quando se trata de contratar serviços, fica mais difícil sair
comparando valores. Até porque, dependendo do conserto ou trabalho a ser
feito, há tanta procura que os prestadores não dão conta de atender
todos os pedidos, gerando fila de espera. Em alguns casos, chega ao
ponto de o cliente precisar quase implorar para ser atendido. Essa
grande demanda encorajou os prestadores de serviços a, nos últimos anos,
reajustar os preços acima da média da inflação de outros setores.
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Em
Santa Maria, os serviços tiveram alta média de 118% nos últimos nove
anos, enquanto a média da inflação na cidade foi de 67% nesse mesmo
período. E no Brasil, mesmo com um ano de baixo crescimento em 2014, a
inflação dos serviços tiveram alta de 8,32%, segundo o IPCA. Porém,
agora, em época crise econômica, chegou a hora de reavaliar e conter
gastos.
– Sai pesquisa do preço da gasolina no jornal, e posso ir no posto
mais barato. Mas, nos serviços, não temos condições de pesquisar. Muitas
vezes, o prestador aumenta o valor na intuição, sem se basear em
índices de inflação. Então, muitas vezes, os aumentos são muito grandes e
ninguém vê – afirma o professor de Economia da Unifra e coordenador da
pesquisa do Índice do Custo de Vida de Santa Maria (ICVSM), que mede a
inflação na cidade, Mateus Frozza.
Segundo dados do ICVSM, o serviço campeão de aumento de preço na
cidade foi o de estacionamento privado, com alta de 350% desde janeiro
de 2006, quando o índice começou a ser calculado. O aumento exorbitante
da frota de veículo, a expansão de faixas de proibido estacionar em
algumas ruas e a nova lei, de 2014, que mudou a forma de cobrança dos
estacionamentos, contribuíram para essa grande variação.
Mensalidade nas alturas
A professora de dança Eliane Bortolini mora no Centro e deixa os dois
carros da família em um estacionamento particular na Rua Coronel
Niederauer. Ela conta que a mensalidade, que era de R$ 150 no início de
2014, acabou tendo dois reajustes no ano passado. Primeiro, pulou para
R$ 180, e quando entrou em vigor a lei que obrigou os estacionamentos a
cobrarem em frações de 15 minutos, o preço mensal saltou para R$ 200.
Para os dois carros, o valor por mês subiu de R$ 300 para R$ 400.
– Está muito caro. Esse aumento de R$ 150 para R$ 200 por carro pesa
bastante no bolso. E tudo em si está subindo um absurdo. Foi-se o tempo
da inflação baixa. Cada vez que a gente vai no supermercado, sai
apavorada. Com esse aumento recente da luz, já começamos a reduzir o
tempo do banho e, toda vez que saímos de um lugar, desligamos a luz –
conta.
:: Conta do supermercado está mais salgada em Santa Maria
Vai demorar para a estabilização dos preços
Algumas consultorias nacionais projetam que a inflação dos serviços
continuará alta em 2015, ficando entre 7,3% e 9% no país. Essa alta
ainda será impulsionada pelos aumentos expressivos dos combustíveis, da
energia elétrica e dos reajustes salariais que pesam nos custos dos
serviços.
A perspectiva dos analista é que os serviços só devem ter uma freada
na alta a partir da metade do ano ou em 2016, quando a economia do país
tiver assimilado os efeitos da alta dos juros e dos impostos adotados
para controlar a alta da inflação.
– A gente talvez tenha de mudar alguns hábitos de consumo para fugir
desse aumento de preços e passar por essa turbulência da economia.
Diminuir a faxineira, colocar o filho estudar em uma escola mais perto
para gastar menos combustível e estacionamento – conclui Frozza.
Matéria publicada no site do jornal Diário de Santa Maria.
Dia: 09 de março de 2015
Reajuste na tarifa de energia elétrica de 39,5% terá impacto nos preços e empregos
Para que o impacto na conta seja minimizado, é preciso reduzir o consumo. Ar condicionado representa até 5% no valor final (Foto Deivid Dutra/A Razão)
por Carmen Staggemeier Xavier
Desligar equipamentos, apagar a luz e reorganizar as contas. Essas são as principais ferramentas para driblar o aumento na conta de energia elétrica, de 39,5%, que está valendo desde a última segunda-feira. A revisão tarifária extraordinária foi aprovada pela Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel). Mas o aperto não ocorre apenas nas residências. As empresas também são atingidas, o que poderá provocar um efeito cascata sobre os preços de uma maneira geral, assim como ocorre quando aumenta o preço dos combustíveis.
Segundo o professor de Economia do Centro Universitário Franciscano (Unifra) Mateus Frozza, o reajuste na energia elétrica encarece o custo fixo das empresas. “O comércio varejista, que já está pressionado com o aumento dos juros, combustíveis, passagens e a volta dos impostos da folha de pagamento, pode vir a fazer demissões de curto a médio prazo, ou seja, podemos ter poucos empregos (temporários) e vendas nesta Páscoa”, prevê o economista.
Os impactos desse aumento nas empresas depende, basicamente, do ramo de atuação, pois existe uma variação no consumo de energia elétrica conforme o segmento e a estrutura utilizada pelo comércio, supermercados e serviços. “Preliminarmente, o impacto nos supermercados podem ficar em torno de 8% a 10%, até avaliação de perdas e ganhos”, prevê Frozza.
O presidente da Câmara de Dirigentes Lojistas de Santa Maria (CDL), Jacques Eskenazi Neto, afirma que os vários reajustes que entraram em vigor recentemente desestimulam a produção. “Este custo terá que ser repassado, ou nos preços dos produtos, ou por meio de cortes em outras despesas, o que pode incluir ou não postos de trabalho, dependendo da empresa”, avalia.
ORÇAMENTO FAMILIAR
O economista Mateus Frozza explica que, para o consumidor nunca foi tão importante fazer compras mais regulares e avaliar sua “cesta” de consumo, ou seja, ser mais prudente antes de comprar e avaliar sua condição de pagamento. “Está na hora de reunir a família e comunicar o que pode e o que não ser feito”, sugere.
Como economizar no final do mês
- Chuveiro: representa de 25% a 35% do valor da conta. Por isso, deixe o chuveiro ligado somente o tempo necessário para o banho
- Ar Condicionado: representa de 2% a 5% do valor final da conta de luz. Para economizar, limpe os filtros e mantenha portas e janelas fechadas
- Lâmpadas: A iluminação representa de 15% a 25% do valor da conta. Por isso, evite acender qualquer lâmpada durante o dia, apague as lâmpadas dos ambientes desocupados
- Geladeira: contribui com 25% a 30% do valor final da conta de luz. Para economizar, instale a geladeira em local bem ventilado, longe de raios solares e fontes de calor
- Televisor: representa de 10% a 15% do valor da conta. Evite deixar o televisor ligado sem necessidade
- Máquina de Lavar Roupa: representa de 2% a 5% do valor final. Procure ligar a máquina só quando ela estiver com a capacidade máxima de roupas indicada pelo fabricante