quinta-feira, 11 de setembro de 2014

Inflação em Santa Maria sobe mais do que no país

Custo de vida medido pela Unifra mostra que em oito anos os preços na cidade tiveram alta acima de índices oficiais

Mateus Frozza, atual coordenador do índice, fez apresentação ontem (Foto Mark Braunstein/Divulgação/A Razão)
Mateus Frozza, atual coordenador do índice, fez apresentação ontem (Foto Mark Braunstein/Divulgação/A Razão)
Marcos Fonseca e Nathália Costa
Aquela sensação que muita gente tem ao chegar no supermercado e constatar que os produtos parecem ficar cada vez mais caros, não é irreal. A inflação dos santa-marienses nos últimos oito anos ficou acima do índice oficial divulgado pelo governo federal. Entre maio de 2006 e julho de 2014, o custo de vida na cidade subiu 64,33%, enquanto o Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) registrou elevação de 53,60%.
A constatação é do Custo de Vida de Santa Maria (ICVSM), medido todos os meses pelo Departamento de Economia do Centro Universitário Franciscano. Os dados acumulados nos últimos oito anos no município foram divulgados ontem, quando o ICVSM chegou a sua 100ª edição.
A principal responsável por corroer o bolso dos santa-marienses é a alimentação. O pão nosso de cada dia subiu muito além do IPCA, que é o indicador oficial da inflação no Brasil. O grupo de alimentos pesquisados pela Unifra teve alta de 110,02% nos oito anos do ICVSM.
Os motivos para os aumentos são variados. No caso da erva-mate, que subiu 253,9% no período, não há um motivo único que justifique um aumento tão elevado, como quebra de safra, aponta Mateus Sangoi Frozza, coordenador do Índice do Custo de Vida de Santa Maria. Segundo ele, as indústrias aplicaram reajustes por conta própria.
A especulação também é um dos motivos para “salgar” o churrasco dos gaúchos. A tão apreciada costela de gado mais do que dobrou de preço em oito anos: 123%. A carne moída, comum nas refeições diárias, disparou de preço: 221,2%. Ou seja, com o que se comprava do tradicional guisado com R$ 10, hoje é preciso desembolsar R$ 32,11 para levar para casa a mesma quantidade de carne. “O governo divulga que a inflação está estabilizada, mas os reajustes existem, sim”, afirma Frozza.
srg
Baixa renda – O coordenador do ICVSM aponta que a população de baixa renda é que mais sofre com o aumento de preços dos alimentos em Santa Maria devido à perda do poder de compra do salário. No período de maio de 2006 a julho de 2014, o salário mínimo nacional subiu 106,9%. O problema é que os alimentos representam quase um terço do índice do custo de vida (27,10%).
O ICVSM pesquisa os preços de 370 produtos, divididos em nove grupos. Nesse contexto, o segundo grupo que mais subiu de preço no período foi o de despesas pessoais, que inclui gastos com cheque especial, aluguel de DVD, compra de artigos como telefone celular, entre outros, com alta de 111,67%.
Dos nove grupos de produtos e serviços, cinco subiram mais do que inflação oficial do IPCA. Os menores índices ficaram por conta dos serviços de comunicação (telefone, internet), com alta de apenas 7,44% em oito anos, segundo o ICVSM.

Levantamento ajuda na economia doméstica

Pereira: índice útil a Santa Maria (Foto Deivid Dutra/A Razão)
Pereira: índice útil a Santa Maria (Foto Deivid Dutra/A Razão)
O Índice do Custo de Vida de Santa Maria loi lançado em maio de 2006, depois de dois anos de pesquisas pelo Departamento de Economia da Unifra. O idealizador da proposta é o professor e economista José Maria Pereira. Para lançar o índice que mede a inflação no município ele conta que foram feitas pesquisas sobre orçamentos familiares locais para desenvolver um software de computador capaz de reunir e fazer o diagnóstico dos dados.
Pereira destaca que, todos os meses, são pesquisados 3,8 mil preços de produtos e serviços dos 370 itens analisados. Os preços de 339 artigos são verificados diretamente em supermercados da cidade. “A ideia de criação de um índice de custo de vida é em função de as cidades do interior, como Santa Maria, não possuírem esse levantamento. Ela precisa de pesquisa de orçamentos familiares, a exemplo de pesquisas do IBGE com amostras”, afirma o professor.
O boletim mensal do ICVSM, disponível no site da Unifra, é um instrumento útil para controlar as despesas domésticas. O atual coordenador do índice, Mateus Frozza, sugere, por exemplo, que o hábito de fazer rancho nos supermercados pode ser sinônimo de prejuízo, já que os estabelecimentos costumam praticar preços maiores no início do mês.
“A dica é não ter mais despensa, fazer compras semanalmente e moderadamente, migrando de um bem a outro, de uma cesta de consumo para outra”, diz. Segundo Frozza, depois do dia 20 de cada mês, os preços tendem a ser menores por promoção e pelo consumo.

http://www.arazao.com.br/2014/09/inflacao-em-santa-maria-sobe-mais-do-que-no-pais/


________________________________________________

No jornal impresso (http://issuu.com/jornalarazao/docs/1109/16?e=0):


































página 09, dia 11 de setembro.

Nenhum comentário:

Postar um comentário